A Moeda Comum do Mercosul
A exemplo do euro, a moeda da União Europeia, há planos para uma moeda que venha a abranger a América do Sul.
A ideia talvez seja tão antiga quanto o Mercosul, que este ano completou 34 anos. O Mercosul é composto por Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai e Uruguai. A Venezuela segue suspensa desde 2016.
Uma vez adotada, a moeda seria usada da Terra do Fogo, no extremo sul da Argentina, ao Oiapoque, no norte do Brasil.
Parte da década de 1990 foi propícia à união monetária, como fez grande parte da Europa, porque as moedas argentina e brasileira valiam aproximadamente a mesma coisa: um dólar.
Para a Argentina, a paridade de um peso argentino para um dólar americano foi uma realidade mais estrita e duradoura. O país implementou a Lei de Conversibilidade em abril de 1991, quando um peso valia exatamente um dólar. A paridade foi mantida até o colapso do sistema em janeiro de 2002.
Para o Brasil, a paridade foi mais curta e não teve a regra rígida de conversibilidade da Argentina.
O Plano Real foi lançado em julho de 1994 para combater a hiperinflação. Nos seus primeiros anos, o real operou sob um regime de câmbio administrado (bandas cambiais). A taxa de câmbio inicial foi fixada em um real = uma Unidade Real de Valor (URV). A URV foi atrelada ao dólar.
No momento de transição e nos meses seguintes, o valor do real ficou muito próximo do dólar, e por vezes até se valorizou um pouco mais.
Essa estabilidade muito próxima da paridade durou até 1999, quando o Brasil abandonou o sistema de bandas cambiais e adotou o câmbio flutuante, levando a moeda a se desvalorizar em relação ao dólar.
A Argentina foi forçada a abandonar a paridade devido a uma crise econômica e social catastrófica que se tornou insustentável no final de 2001 e início de 2002.
A paridade em 1991, cumpriu seu papel inicial de acabar com a hiperinflação, mas acabou criando desequilíbrios profundos que levaram ao colapso.
Os principais motivos para o abandono foram:
1. Perda de Competitividade e Déficit Comercial.
A taxa de câmbio fixa e supervalorizada (o peso valia muito em relação ao dólar) tornou os produtos argentinos muito caros no mercado internacional. O país se inundou de produtos importados mais baratos, levando a um déficit na balança comercial (o país comprava muito mais do que vendia). A situação se agravou após a desvalorização do real brasileiro em 1999, que tornou os produtos do principal parceiro comercial da Argentina muito mais baratos.
2. Aumento da Dívida e Fragilidade Fiscal
Para cobrir o déficit comercial e manter a paridade, o governo argentino precisava de um fluxo constante de dólares. A forma de obter esses dólares foi através do endividamento maciço (pública e privada) no exterior.
3. Fuga de Capitais e Esgotamento das Reservas
O sistema de conversibilidade exigia que o Banco Central tivesse reservas em dólar para cobrir a circulação de pesos, garantindo a paridade. À medida em que a crise se aprofundava e a sustentabilidade da paridade era questionada, houve uma intensa fuga de capitais.
Voltando à moeda sul-americana, as propostas mais recentes vislumbram um meio de pagamento comum para o comércio dentro do continente.








