Prefeitura de Camaquã interdita imóveis em área de risco às margens do Rio Camaquã na Vila da Pacheca
A
Prefeitura de Camaquã vem a público esclarecer à imprensa e à
população camaquense sobre a ação realizada na manhã desta
terça-feira, dia 31 de março de 2026, na Rua da Barca, localizada
na Vila da Pacheca, zona rural do município.
A operação
ocorreu de forma integrada, envolvendo a Secretaria Municipal de
Segurança e Mobilidade Urbana, Defesa Civil Municipal, Secretaria
Municipal de Desenvolvimento Social, Brigada Militar, Patrulha
Ambiental, Corpo de Bombeiros e SAMU.
O objetivo da
força-tarefa foi notificar a interdição de 25 imóveis situados às
margens do Rio Camaquã, em Área de Preservação Permanente (APP),
conforme laudo técnico da Defesa Civil do Estado do Rio Grande do
Sul. Dos 25 imóveis, apenas nove são ocupados por famílias
residentes de forma permanente.
A medida tem caráter
preventivo e foi adotada com base em laudo técnico emitido pelo
Departamento de Gestão de Desastres da Defesa Civil Estadual, após
vistoria realizada em 11 de fevereiro de 2026.
O
documento aponta risco elevado de desmoronamento devido à
instabilidade do terreno, agravada pela erosão das margens do rio,
pela ausência de vegetação ciliar e pela elevação do lençol
freático, fatores que comprometem a segurança das edificações.
O
estudo foi realizado após notificação do Ministério Público
Estadual, no dia 15 de janeiro, sobre situação de risco dos imóveis
localizados na rua da Barca. O apoio da Defesa Civil Estadual foi
solicitado pelo município para garantir precisão técnica nos
laudos.
A Prefeitura reforça que a decisão prioriza a
preservação da vida, especialmente diante do histórico de cheias
do Rio Camaquã e da aproximação de períodos chuvosos, que
aumentam significativamente os riscos para as famílias que residem
no local irregular.
É importante destacar que a ação
realizada não se trata de despejo . Os moradores foram notificados
sobre o risco grave e orientados a deixar a área de forma segura,
com o devido acompanhamento dos órgãos competentes. Durante a
operação, equipes da assistência social coletaram dados das
famílias presentes, oferecendo apoio para mudança, intermediação
com familiares e, caso necessário, acolhimento provisório no
albergue municipal.
A gestão municipal reconhece a
situação de vulnerabilidade social enfrentada por parte dos
moradores e reafirma seu compromisso com o acolhimento digno e o
acompanhamento contínuo dessas famílias, buscando alternativas
permanentes que garantam segurança e respeito aos direitos
sociais.
Além das medidas relacionadas às moradias, a
Secretaria Municipal de Desenvolvimento Sustentável está adotando
providências na área ambiental. Uma lavoura de arroz existente na
faixa de preservação deverá ser recuada, conforme determina a
legislação, e está em andamento a verificação da regularidade da
outorga de uso da água. Em uma etapa posterior, será necessária a
recomposição da vegetação ciliar e a realização de estudos
técnicos complementares para recuperação da área.
A
Prefeitura de Camaquã ressalta que a ocupação da APP é irregular
e os imóveis interditados não possuem registro no cadastro
imobiliário do município, o que reforça a necessidade de
intervenção responsável, baseada em critérios técnicos e
legais.
Com base nos dados coletados na ação, o prefeito
de Camaquã, Abner Dillmann, busca recursos de órgãos estaduais
para garantir solução permanente para os moradores.
A
gestão municipal seguirá acompanhando de perto a situação,
prestando todo o suporte necessário às famílias envolvidas, ao
mesmo tempo em que trabalha, junto aos órgãos competentes, na
construção de soluções definitivas que conciliem a proteção
ambiental com a dignidade e a segurança da população.











