sábado, 16 de fevereiro de 2019

RIO GRANDE - PROJETO PINÍPEDES DO SUL REALIZA SOLTURA DE LOBO-MARINHO

Na quarta-feira, dia 13 de fevereiro de 2019, as equipes técnicas do Centro de Recuperação de Animais Marinhos (CRAM) e do Projeto Pinípedes do Sul, patrocinado pela Petrobras, realizaram a soltura de um lobo-marinho-do-sul juvenil (Arctocephalus australis), no Balneário Cassino.

O projeto atua desenvolvendo o resgate de animais marinhos em seus monitoramentos, que são realizados de forma mensal em áreas do litoral do Rio Grande do Sul, e atende os registros de ocorrência realizados pela comunidade via telefone.

Além disso, desenvolve um trabalho de reintrodução responsável de tartarugas e pinípedes em seu habitat natural após seus períodos de reabilitação no CRAM.

Histórico do lobo

O animal havia sido encontrado no dia 8 de janeiro na praia do Hermenegildo, por moradores que solicitaram o seu resgate à Secretaria do Meio Ambiente da Prefeitura Municipal de Santa Vitória do Palmar.

O animal encontrava-se debilitado, magro, com aparência de cansado e com ferimentos, e foi resgatado por meio do Departamento de Proteção ao Meio Ambiente, capacitado pelo CRAM para atender às ocorrências de animais marinhos na região.

De acordo com o supervisor do Departamento de Proteção ao Meio Ambiente da Prefeitura Municipal de Santa Vitória do Palmar, Everton Corrêa, “desenvolvemos um trabalho de monitoramento e resgate de animais marinhos desde 2017; muitas vezes, recebemos ligações da comunidade avisando da ocorrência de lobos-marinhos, pinguins ou tartarugas encalhadas em nosso trecho de praia.

Já avançamos muito desde o início deste trabalho e temos uma comunidade consciente e informada, que entra em contato conosco por meio do telefone (53) 3263-1388, solicitando o resgate dos animais. Após o resgate, utilizamos técnicas para uma melhora do animal e encaminhamos ao CRAM para que receba os devidos cuidados por profissionais especializados”.

CRAM

De acordo com a coordenadora do CRAM, Paula Canabarro, “o animal foi encaminhado ao CRAM no dia 10 de janeiro e encontrava-se com uma lesão na região da cabeça, apático, com poucos reflexos e dificuldade respiratória. O lobo foi submetido ao tratamento, que contou com suplementação vitamínica, antibioticoterapia, administração de antiparasitário e anti-inflamatório.”

A equipe técnica do CRAM desenvolve um trabalho de reabilitação de animais marinhos que envolve, em um primeiro momento, o chamado “procedimento de ingresso”.  

Neste, a equipe técnica avalia o animal por meio sua condição corporal, pesagem e medição, hidratação, coleta de sangue para análise de parâmetros sanguíneos e teste de flutuabilidade. Após este procedimento, a equipe realiza um tratamento específico de acordo com o quadro apresentado por cada animal.

O tratamento do lobo encontrado dia 8 de janeiro agregou medicação, hidratação e uma alimentação composta por elementos pastosos e pescados. Após este período de recuperação, é realizada uma avaliação prévia para constatar se o animal está em condições de ser devolvido ao seu habitat natural.

Desde 1974, o Centro desenvolve o trabalho de resgate e tratamento de animais marinhos encontrados nas praias do Rio Grande do Sul, com o objetivo de reintroduzir os animais de forma segura em seus habitats naturais.  Este ano, o CRAM já recebeu 16 animais, incluindo espécies de aves, mamíferos e tartarugas marinhas, que atualmente encontram-se em processo de recuperação para serem devolvidos ao seu habitat.

A espécie “lobo-marinho-do-sul”

O lobo-marinho-de-sul é um mamífero que possui distribuição geográfica no continente sul-americano desde o Rio de Janeiro, no Oceano Atlântico, até a Península de Paracas (Peru), no Oceano Pacífico, contando também com registros nas Ilhas Malvinas.

A população mundial da espécie é estimada entre 350.000 e 400.000 animais.  Esta é a espécie de pinípede mais abundante no litoral gaúcha, podendo ser avistada frequentemente nas praias da região sul, alimentando-se e descansando.

Esta espécie é caracterizada por um corpo delgado, focinho alongado, vibrassas longas, orelhas pequenas, ventre claro e pescoço grosso. Os filhotes da espécie nascem com o pelo em tons de cinza, e peso de 3 a 5 quilos.  

Já adultos, passam a ter coloração marrom, sendo os machos maiores que as fêmeas. Dentre os animais já observados, os machos atingiram 1,89 m de comprimento e 159 kg, enquanto as fêmeas chegaram a 1,43 m e 48 kg.  Também quanto à idade há variação entre machos e fêmeas, já tendo sido registrados animais com até 23 anos (machos) e 30 anos (fêmeas).

Encontrei um animal marinho e agora?

Ao encontrar animais marinhos, a orientação é, primeiramente, entrar em contato com o NEMA (3236-2420) ou com o CRAM/FURG (3231-3496) para fazer um registro de ocorrência, pois os profissionais dessas instituições são capacitados para lidar com qualquer tipo de situação relacionada a animais marinhos. Além disso, deve-se manter distância do animal, não o alimentar e afastar animais domésticos das proximidades.

Sobre o Projeto:

O Projeto Pinípedes do Sul, que tem o patrocínio da Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental, tem o objetivo de reduzir as ameaças à conservação das espécies de Pinípedes, que constitui o grupo de mamíferos marinhos que inclui as focas, leões e lobos-marinhos.

O projeto, que também atua na conservação das tartarugas marinhas no sul do Brasil, visa aumentar o nível de proteção de duas Unidades de Conservação onde há grande concentração desses animais (Refúgio de Vida Silvestre do Molhe Leste, em São José do Norte, e Refúgio de Vida Silvestre da Ilha dos Lobos, em Torres) e desenvolver atividades de educação ambiental junto às comunidades pesqueiras. (Coordenadora de comunicação do Projeto Pinípedes do Sul – Foto: Divulgação)



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