segunda-feira, 26 de novembro de 2018

ENCRUZILHADA DO SUL - DISPUTAS DO TRÁFICO PODEM ESTAR POR TRÁS DE HOMICÍDIOS NO MUNICÍPIO


Faltando mais de um mês para chegar ao fim, 2018 já registrou três vezes mais homicídios do que todo o ano passado em Encruzilhada do Sul. São 16 mortes e duas tentativas de homicídio. 

Em 2017 foram dez tentativas e apenas cinco casos consumados. Dos assassinatos deste ano, conforme a delegada Raquel Schneider, 12 teriam relação com o narcotráfico. A tentativa de entrada no município por uma facção rival dos Manos, que comandam o tráfico de drogas na região, estaria entre as causas.

“Essas facções costumam fazer pichações pela cidade, como uma forma de marcar território, e nós temos notado novos símbolos, que até o momento não reconhecemos como sendo de nenhum grupo já conhecido”, detalhou. 

Além da disputa por território, as execuções também seriam motivadas por traições e dívidas. Em diversos casos, tanto os veículos utilizados quanto os autores dos disparos seriam de fora do município.

“Temos conhecimento de que pessoas vêm para o município para cometer os homicídios. Quanto aos veículos, há muitos que são clonados”, contou. No caso do assassinato mais recente, na última terça-feira, as vítimas também não seriam de Encruzilhada. Elas foram encontradas carbonizadas, com perfurações de tiro na cabeça, em um carro, no interior.

“Trabalhamos com a hipótese de que seja um casal que está desaparecido em Lajeado, mas somente a conclusão do exame de DNA poderá revelar a identidade. Um deles também teria relação com o tráfico.”

Do total de mortes relacionadas ao narcotráfico, apenas duas foram solucionadas até agora. Um dos desafios para a polícia, segundo Raquel, é o medo da população de testemunhar sobre os crimes. 

“Nós sabemos de pessoas, inclusive comerciantes, que viram essas mortes acontecerem e poderiam nos fornecer informações muito precisas. Mas elas não falam por temer possíveis represálias”, contou a delegada.

No início deste mês, uma operação prendeu seis pessoas no município, dentre elas um homem que confessou ter cometido uma tentativa de homicídio e um assassinato. Dos casos em aberto, alguns aguardam o resultado de perícias, como exames de balística, por exemplo. Em outros faltam pistas, mas todos estão sendo investigados. Em nenhuma das mortes, conforme a delegada, foi constatada qualquer relação com Santa Cruz do Sul até o momento.

Falta de policiais atrapalha

Além da dificuldade de conseguir informações com a comunidade, a falta de policiais designados para a Delegacia de Polícia de Encruzilhada do Sul é outro desafio que surge no caminho das investigações. Segundo a delegada Raquel Schneider, o município conta hoje com seis policiais civis, mas precisaria ter entre 15 e 16 agentes para atender à demanda.

“É muito complicado porque nós não conseguimos pegar um caso e seguir dele direto até concluir. Como estamos sempre nos revezando para atender tudo, precisamos parar os casos no meio e atender os novos que vão surgindo, que se tornam outros episódios em aberto”, afirmou. A expectativa da delegada é que o chamamento de 400 aprovados no concurso do Estado, anunciado nessa quinta-feira, possa beneficiar também o município. (Por: Redação Gazeta do Sul | Foto: Divulgação)

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